Na tarde desta sexta-feira, 29 de agosto, a diretoria do SEESE promoveu uma assembleia informativa com os enfermeiros de Aracaju. O encontro teve como tema central a recente mudança no modelo de agendamento das UBS, um assunto que tem gerado grande preocupação entre os profissionais da área.
Na quinta-feira, 28, a diretoria do SEESE se reuniu com a gestão municipal para discutir essa mudança, que tem impactado diretamente o cotidiano de trabalho e a qualidade do atendimento à população. Durante a reunião com a gestão, o sindicato requisitou que a administração receba oficialmente as contribuições dos sindicatos sobre o novo modelo de agendamento, para que se possa chegar a um consenso que considere a realidade vivida pelos profissionais nas unidades de saúde.
Durante a assembleia desta sexta, os enfermeiros presentes confirmaram as dificuldades impostas pela forma como o novo modelo está sendo implantado. Contudo, também houve um reconhecimento de que algumas melhorias foram feitas para minimizar os danos. A principal preocupação levantada pelos profissionais foi em relação à descaracterização da estratégia de Saúde da Família com a adoção do modelo de acesso avançado, proposto pela gestão. Os enfermeiros argumentaram que essa mudança prejudica o atendimento, já que atualmente existem longas filas e até pacientes que chegam de madrugada para agendar consultas, uma realidade que se agrava com a redução das vagas garantidas por agendamento prévio.
“Nosso receio é que a mudança reduza ainda mais o número de vagas disponíveis e sobrecarregue ainda mais o sistema, prejudicando os pacientes e os profissionais que já enfrentam um alto nível de pressão no dia a dia”, afirmou Shirley Morales, presidenta do SEESE, que mediou a assembleia.
Outro tema debatido foi a nota técnica que trata da mobilidade de técnicos e auxiliares de enfermagem dentro das unidades de saúde. A nova diretriz permite que esses profissionais sejam deslocados a qualquer momento entre os setores da unidade, o que é considerado inadequado e prejudicial pela categoria. Além disso, a gestão informou que os enfermeiros seriam responsáveis pela educação permanente dos agentes comunitários de saúde, o que não faz parte das atribuições da categoria. O SEESE, em nome dos trabalhadores, já notificou a prefeitura sobre esse ponto e também o Coren-SE, aguardando agendamento de reunião para discutir a questão.
Mudança no fluxo de urgência pode colocar vidas em risco
Outro ponto crítico debatido foi a alteração no fluxo de atendimento da rede de urgência, especificamente no que diz respeito à neonatologia e aos cuidados com as parturientes, puérperas e recém-nascidos com menos de 28 dias. A gestão municipal alterou unilateralmente o fluxo de atendimento, o que pode comprometer gravemente a saúde das mães e bebês, uma vez que as maternidades terão que transferir pacientes para a unidade Fernando Franco, que não possui neonatologistas e conta com um quadro insuficiente de pediatras.
O SEESE expressou grande preocupação com as possíveis consequências dessa mudança, que pode gerar graves riscos para a vida dos pacientes, especialmente no período pós-parto. A diretoria do sindicato anunciou que encaminhará todas as denúncias relacionadas a essa mudança de fluxo ao Ministério Público para que as providências necessárias sejam tomadas e os direitos das mães e dos bebês sejam preservados.
Outro ponto levantado na reunião com a gestão foi a questão do absenteísmo, algo que a administração municipal apontou como um problema. No entanto, os profissionais esclareceram que não existe uma evidência concreta de absenteísmo em grande escala, como foi divulgado pela prefeitura. De acordo com os enfermeiros, quando os pacientes não comparecem às consultas agendadas, as vagas ociosas são imediatamente repassadas para outros usuários, sem que a agenda dos profissionais fique bloqueada. A gestão, no entanto, não apresentou dados que comprovassem o suposto problema.
Para dar continuidade à coleta de informações e avaliar de forma mais detalhada os impactos dessa mudança, o SEESE realizará uma pesquisa qualitativa com os trabalhadores da atenção primária por meio de um Google Forms. A ideia é traçar um quadro comparativo entre a realidade anterior e a atual, a fim de apresentar uma análise mais precisa sobre os efeitos do novo modelo.
Retrocesso na gestão das unidades e mudanças nas atribuições do enfermeiro
Outros temas polêmicos também foram abordados durante a assembleia. Um dos pontos mais criticados foi a decisão da gestão municipal de permitir que o enfermeiro responsável técnico (RT) assuma mais de uma unidade de saúde. O sindicato considera essa medida um grande retrocesso e um “absurdo”, uma vez que um único RT não consegue dar conta de várias unidades, como chegou a ser sugerido por alguns gestores. Essa mudança, segundo o SEESE, compromete a qualidade do acompanhamento e fiscalização das unidades, além de sobrecarregar os profissionais.
ASCOM SEESE
Seese – Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe Site oficial do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (Seese)